quinta-feira, 4 de julho de 2024

Mira el tiempo





Recuerda que el tiempo es eterno, pero nosotros no lo somos;

Olvida lo que te aleja del amor.

Vive, ya que la muerte no se demora.

Ama, si no, no habrás vivido.

Amilton Montes

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Nada, amor, (a)mar

 Corpos desnudos e almas cobertas,

Cascas de prazer cobrindo a paz de ser quem somos,

Camas viraram oceanos.

Quando as conexões deixaram de importar?

Amores líquidos e salgados jamais vão hidratar.

 Lágrimas gotejam de desapegos torpes,

Diluem-se em oceanos de suor, deságuam em peles impermeáveis.

A alma pede...

Mas a mar se perde,

Não sei nadar em amores modernos.



Texto: Amilton Montes
Imagem: Alma Gêmea Nequitz Miguel



terça-feira, 2 de maio de 2023

Brigadeiro de colher para dois.

 

     Em uma panela de contexto favorável coloque a doçura de músicas que tocaram em comerciais da infância, adicione um sorriso de quarto crescente, daqueles que passam rápido, mas iluminam a noite com penumbra suficiente para sentir sem medo. Polvilhe semelhanças a gosto e misture sobre o fogo alto das peles que se tocam.
    Deixe esfriar em um recipiente onde os dois caibam confortavelmente, um sobre o outro, quando as respirações sincronizarem está no ponto de rir e olhar nos olhos.
    Mexa a panela até que os traumas se dissolvam, lembre-se que o amargo no fundo do agrião pode ser doce e entorpecer a boca, nessa hora é melhor beijar que falar. Sopre palavras brandas no medo até que a casca rija deixe de ser impenetrável e torne-se crocante e palatável. 
    Dê tempo para o brigadeiro aveludar e tenha paciência consigo mesmo quando errar a receita. Não coma quente nem tudo de uma vez, a receita é para dois.

Amilton Montes

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Dente de Leão

Leve...
A vida leve...
Cresça e desprenda-se..
De sí,
das raizes,
Leve...
Vá com vento,
Avalie,
Lave-se,
Leve...
Alivie-se, ali vivesse. 
Leve...
Aqui também! Não compare! 
Leve...
Pare! Pause... 
Continue,
Leve!
se preciso mude!

Só não emudeça... 
Ao ser muda: cresça! 
Leve...

Não deixe que a vida te pode! 
Pode você mesmo o que pesa!
Acredite, você pode! 

Enveideresse, ramifiquesse, vivifique-se!

Leve só o que eleva, leve só o que é leve.

Amilton Montes

sexta-feira, 2 de outubro de 2020


O pantanal está em chamas,

Chama todos para ver!

Cortaram as árvores e agora querem cortar o fogo.

A natureza tenta sobreviver...

Animais fogem e se escondem,

Chama Salles para ver!

Demissões no IBAMA e esvaziamento do CONAMA,

Proibiram o INPE de dizer...

Que as queimadas e desmatamento cresceram,

Que o dia do fogo foi obra de fazendeiro.

Preferiram culpar os índios e o DiCaprio,

Espalharam fake news como se fosse fato

Extinguiram raças inteiras só pra lucrar!

Juntaram meio ambiente e agricultura num só celeiro,

Depois venderam pra quem desse mais dinheiro.

Quando vão aprender que folhas de dinheiro não dão ar?

Quanto custará, pra perceberem que animal extinto não vai voltar?

Lagrimas sem atitudes não vão ajudar.

Quando a Amazônia acabar, seremos os próximos!

A Natureza é um todo, não adianta segregar.



Amilton Montes.









quarta-feira, 10 de junho de 2020

Presente francês.

Inspire até o fim dessa linha, devagar e constantemente. Primeiro os pulmões e depois a barriga...
Expire até o fim dessa, pela boca. Continue devagar e constante. Siga esse padrão até o fim do texto.

inspire, tudo isso vai passar. Porque nós mesmos passamos, não se preocupe com os erros, aprenda.
expire, assovie sem som, continuamente em uma nota silênciosa. Lembre do padrão, vamos lá...

O ár-condicionado parecia não estar funcionando naquele dia, embora fosse a maior loja de departamentos do mundo e vendessem os aparelhos, parecia que não tinham feito a manutenção necessária, talvez a loja só estivesse muito cheia. Depois de horas que pareciam uma vida inteira, finalmente ela chegou ao caixa.

-Olá, me chamo Avenir e gostaria de trocar um produto.
-Qual o produto? - Retrucou a atendente.
-Esse álbum de fotos.
-A senhorita não está satisfeita  com ele? Poderia indicar o problema?
-Não estou nada satisfeita, aliás acho que é uma brincadeira muito sem graça. Sei que Leçon fez isso e espero que pelo menos possa trocar por algo bom na loja, afinal esse foi o pior presente que já recebi.
-Foi presente?
-Sim, nada agrádavel, mas foi. - Disse Avenir, enquanto entregava o álbum todo amassado.
-Esse produto está muito danificado, pra sua sorte é um álbum especial e suas páginas podem ser corrigidas com este outro produto da nossa loja: Ferro de passar fotos.
-Que ridículo! Não quero comprar mais nada, só trocar essa merda!
-Vejo que você passou por muitas coisas difíceis, só não entendo como tiraram fotos de momentos assim...
-Também não sabia dessas fotos, mas tenho certeza que foi o Leçon, Dividimos o apartamento e é a única pessoa que pode ter tirado essas fotos.
-Entendo...  -Replicou a funcionaria enquanto passava as fotos com o ferro de passar fotos, produto único da maior loja de departamentos do mundo.
-O que você está fazendo?¹ As fotos estão queimando! O presente não estava tão danificado assim! Você fez isso para não poder trocar?!
-Que presente, senhora?Não se troca presente. Esse aqui, passado e queimado deve ser esquecido.
-Não! Eu quero meu dinheiro de volta ou outro produto!
-O dinheiro não era seu, senhora. Este item lhe foi dado, foi presente e ao tentar se livrar dele deixou de ser. Agora está passado, em breve será esquecido.
-Mas você queimou a única foto que tinha do meu ex-marido!
-Se ele é ex, não tem porque a senhora guardar...
-Não é isso... Não é por ele...
-Então o que foi? Só vejo ele na foto, a mesa do que parecia ser uma ceia de natal arruinada, toda a comida no chão e você chorando.
-Ele não gostou da comida, estava bebado e puxou a toalha. Derrubou tudo e depois de gritar comigo foi comer na casa da amante. No fundo eu já sabia, mas tentava não ver.
-Então esse momento realmente merece ser passado e queimar.
-Não, tem outra coisa...  -Disse Avenir, com lagrimas nos olhos.
-O que senhora? Isso não é mais presente, esqueça!
-No dia que ele estragou o natal, chorei muito. Ele foi embora e no dia seguinte joguei as coisas dele na rua e troquei as chaves do apartamento. Decidi que nunca mais seria vitima de um relacionamento assim. Também comecei a cozinhar todo dia, queria provar pra mim mesma que era capaz de fazer aquilo.
-Só um minuto, agora que você falou em cozinhar... Você não é aquela Jurada do Reality show de cozinha... É?
-Sim, eu mesma! Avenir Meilleur! Este ano ganhei minha terceira estrela Michelin!
-Inacreditavel, como aprendeu tanto?
-Você se refere a cozinha ou a vida?
-Aqui está o álbum, senhora. Foi presente, foi passado e agora é de Avenir Meilleur!
-Obrigado... Acho que agora entendi o objetivo de Leçon ao me dar isto.


Avenir Meilleur significa Futuro Melhor.
Leçon é lição.
Que foto amassada do seu álbum precisa ser passada?

Amilton Montes

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Eólica

Eólica

Sopra, se é amor, deixa à mar...

Na vela ele navega e queima...

Pois ambas as velas, como meus pulmões,

Se alimentam desse ar...

Ar quando livre é vento, 
vem e vai sem perguntar. 

Não se prende por pulmões ou velas

Arranca sorrisos e pétalas ao passar! 

Se ar é amor, vento é  movimento e ventar é amar. 

Quando achamos que o vento parou, 

Ele não se foi, só sopra em outro lugar

Amilton montes

domingo, 4 de novembro de 2018

Presentear é verbo

-Pra sempre.
-Quantas vezes realmente foi?
-Todas as vezes.
-Como pode ter sido pra sempre se acabou?
-Se morremos acaba, pra sempre é por toda a vida.
-Ainda estás vivo, mas aqueles sentimentos não.
-Estou vivo, quem sentiu antes não. Morremos todo dia um pouco, na mesma proporção que nascemos... Sou outro e quero eternidade enquanto essa vida durar.

Amilton Montes(O de 04 de novembro de 2018 as 12:03...)

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Amor Fatis

Amor Fatis:

-Quanto tempo nós temos?
-O suficiente...
-E de quanto precisamos?
-Depende, juntos, ou separados?
-Juntos...
-Juntos? Juntos não precisamos de tempo... Ele nem passa.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Uirá

Equilíbrio pode ser difícil as vezes. Vivemos em um constante balanço, tentando nos manter na linha e seguir em frente. Lutamos contra o vento, e o balanço das cordas, mas no fim o equilíbrio mais difícil vem de dentro: manter a postura correta diante dos desafios, abrir os braços pra vida e não esquecer de respirar.

-Posso tentar também?  -Perguntei ao rapaz que treinava na corda.
-Claro! Me chamo Uirá,  fique a vontade!
-Subi na  corda com ajuda de meu novo instrutor, achei que aprenderia só um novo esporte mas na verdade estava prestes a ter valiosas lições para a vida. -o que devo fazer? Perguntei ao rapaz de braços longos e nariz comprido.
-A parte mais difícil é subir.  Ponha uma perna e sinta o balanço da corda. Quanto mais pressão tiver na subida mais ela balança. O segredo é dobrar os joelhos para aliviar, respirar fundo e subir de uma vez.
-Pressão sempre dificulta tudo. Não sei porque disse isso,  mas fui assim mesmo. Fui devagar e cheio de cautela,  colocando o pé lentamente e tentando transferir meu peso grama à grama para a corda . Quanto mais quilos iam da perna que estava no chão para a suspensa, mais ela tremia, até que vibrou como como uma corda de violão e cai.
-Já disse, tens que ir de uma vez. Ela vai te dar um tranco de volta. Aguenta e sobe.
-sempre tem um tranco. Vou tentar de novo. Dessa vez segui o conselho e fui. Subi!
-Boa, rapaz! Agora abre os braços, é que nem planar, a corda vai só reagir as tuas vibrações e movimento. Respira e voa!
-Nunca planei,  acho que isso não ajuda muito. -Repliquei rindo.
-É como a vida. As vibrações externas de vento e rebate são imprevisíveis, mas tua reação a elas é que estabiliza ou chacoalha mais as coisas. Vai sentindo quando tens que te jogar mais pra anular a força que vem na tua direção e quando deves deixar ela te impulsionar.
-Ainda estás falando dessa corda?
-Olha pra frente. No Slackline seguimos em frente.
-Ok. Gosto da idéia de ir em frente, só não quero ir pra baixo.
-Esquece teus medos! Do chão não passas.
-A corda está tremendo mais agora!
-Não é a corda. O vento parou, tu é que estás tremendo!
-Vou cair!
-Respira!
Quando Respirei fundo meus músculos relaxaram, a tensão reduziu e  a corda parecia ter sumido. Não havia nada além de um caminho leve, nenhum problema grave, nem a gravidade parecia existir. Só a corda. Acordei do transe e disse -Estou conseguindo!
-Já não estou te segurando!
-Cai. Por que me soltastes?
-Tens que ter equilíbrio sozinho. Só vais adiante quando não precisar de ninguém além de ti mesmo. Não encare isso como um trauma, tenta de novo.
-Foi uma lição


sexta-feira, 29 de junho de 2018

(I'm)possible

When one sings a song, 
it's to be heard.
When one wonders a thought
it's to be shared.
When one writes a poem,
it's just to be.





         

domingo, 11 de outubro de 2015


Caçávamos animais para viver
hoje caçamos sentidos.
Sentimos,
Temos...
Somos?
Cansamos rápido,
Casamos rápido...
Temos vivido devagar,
à devagar...
De vagar, sem sair daqui.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dueto em Mi menor

A luz da praça se apagou. Não a luz de qualquer praça, mas a de uma especifica: A praça aonde nos encontrávamos todas as noites.

A luz nunca tinha sido realmente importante, aliás, a falta dela sempre garantiu que clima fosse adequado ao romance.

No entanto, naquele dia nublado a treva era maior do que o aconchegante lençol de penumbra que sempre acolia os amantes

A sombra escondeu-os, fazendo com que só pudessem procurar um pelo outro através do tato...

E lá foram eles, tateando a praça, cada árvore, cada flor e banco. Havia uma esperança somada com expectativa, enquanto cada um assoviava de um lado da praça sua canção favorita

Já tinham usado essa tática antes, no entanto dessa vez era diferente. Nos duetos anteriores cada um tinha feito participação com uma melodia diferente e embora tivessem gostos parecidos, tinham diversas canções favoritas então nunca coincidiam.

Não dessa vez! Naquela noite escura, finalmente cantarolaram no mesmo tom: As mesmas notas, no mesmo ritmo e com a mesma emoção cega.

Seguiram as notas apaixonadas, e escalaram todas as notas exceto SOL, talvez já tivessem entendido que o sol não cabia na opacidade da melodia que compunham juntos.

Os sopros de respiração cantante iam ficando mais próximos, até que um já podia sentir o ar que os pulmões do outro expulsava em formas de sustenidos e bemóis. Até que: Silencio!

Os sons calaram-se e mais nada se ouvia naquela noite.

Ela, romântica como sempre, sonhou com ele durante toda a noite, ansiosa pelo despertar daquele sono - que seria rompido com uma realidade ainda mais linda.

Na manhã seguinte a luz já havia instalado-se no coreto que tinha sido palco daquele amor shakespeariano. A única coisa que restava da noite anterior era o silêncio.

Ele acordara primeiro, e temeroso por interromper o sono de sua amada, sutilmente beijou sua face. O som do beijo, ainda que quase um suspiro, foi suficiente para acorda-la.

Ela sorria abrindo os olhos lentamente. Sua visão era turva da noite passada, até que avistou seu companheiro e deu um passo pra trás.

Viu que ele não era seu amante.

Assustou-se por ver que tinha passado a noite com um desconhecido! Culpou-se por ter traído aquele para quem ela tinha jurado amor.

Ele observou calado, e disse:- Pelo contrario, você não traiu a ele, e sim a mim. Veja o que sentimos, veja como estamos no mesmo tom...





domingo, 17 de junho de 2012

Arte visual.


         Nascemos com um quadro em branco e algumas cores básicas, como crianças só sabemos pintar à dedo mas, com um só dedo pintamos o se7e... Com dez então...

         Crescemos e aprendemos que as cores podem ser combinadas. Passamos então a criar o que sequer sabíamos que poderia existir, entre o sol poente e o mar surgem rosas...De repente, damos de cara com telas de textura áspera e irregular, nossos melhores pinceis perdem as cerdas e nossas mãos trëmem... Descobrimos então a arte abstrata, e notamos que são as mãos tremulas que tornam nosso trabalho único.

         Ficamos velhos e vemos a exposição de tudo que criamos na galeria da memoria. Notamos nossos erros e só agora eles parecem errados.Lembramos dos acertos, que muitas vezes eram irrelevantes até então. Finalmente, um pouco antes de fechar os olhos, percebemos que a arte está nos olhos de quem vê e não nas mãos de quem faz...





                                     ...





                                                          Vê bem quem vê além.

domingo, 6 de novembro de 2011

Por esta, por aquela, poesia...

O poeta usa a pena, e, sem pena escrevive o que ninguém vê...
Movido por sentimentos, poentes ou nascentes, atravessa por travessas e pontes, travessões e mentes...
Voa nas letras, com asas escritas à tinta, e se a pena cai, a poesia pousa, pausa, mas nunca é extinta...
O poeta porta a palavra que abre a porta... A chave de amor que a dor conforta...
Como poeta parto parado, tomo partido, e sonho acordado.

sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre olhares. (Olhares sonoros).



Acordei entediado: Como sempre, quis fugir.

Virei pro lado e me vi no espelho...

-Me aproximei-

Desejei profundamente quebrá-lo: sumir com os reflexos , tanto de mim quanto de meus atos.

-Me aproximei mais-

Percebi todos os objetos do meu quarto; principalmente meu violão: calado, só um violão que não estava sendo tocado naquele momento.

-Encostei a testa no espelho-

Olhei no fundo de meus próprios olhos, ou do reflexo deles...

Vi que havia alguma beleza. -São negros ou castanhos?-

De fato tenho olhos quase comuns...

Lembrei do que tinha visto ontem, e desejei jamais ter tido olhos...

-Mudei de idéia-

Não... Sem olhos jamais teria te visto, e sem ter te visto eu jamais teria tanta beleza em meu olhar...


*Algumas imagens tocam pessoas do mesmo jeito que algumas pessoas tocam violão... Mas o efeito dura mais em pessoas que em instrumentos. –O que não dizer que não passe-.



Sobre olhares.


Livros são mundos inteiros: seus países são capítulos; parágrafos são estados; e as palavras são lugares mais específicos: onde nos encontramos, ou nos perdemos mais ainda.

Naquela tarde eu era um astronauta... Cada estante me parecia um sistema solar: cheio daqueles planetas de palavras; e eu vagava fora de órbita por aquele universo de papel e tinta... Tudo que existe cabia naquela livraria, aliás: até o que não existe era cabível ali.

Ela entrou: com seus cabelos vermelhos, em cachos: uma cachoeira de flama; puxou um dos planetas -que estava escondido atrás de uma prateleira; possivelmente ela mesma havia escondido n'outrora-. Não consegui ver seus olhos: a haste lateral dos óculos impedia, junto com os cachos que caiam levemente por sobre seu rosto enquanto ela debruçava-se pra sobre o livro, agora aberto em suas mãos.

Pensei no que falar; pensei no que não falar; também me perguntei sobre o porque eu querer dizer alguma coisa... Até que, com medo que a oportunidade passasse e o momento se fosse, eu disse sem pensar:
-Nunca falei com ninguém só pela beleza... -Ela me lançou um olhar que era uma mistura de surpresa com desdenho, e voltou a ler- .
-Continuei: -Então eles são azuis... Azul gelo, certo? Acho adequado... Podes me fulminar com um olhar frio agora.
-Ela sorriu. Dessa vez de uma maneira condizente, e me olhou por cima das lentes:
-Espero que não faças nenhuma metáfora dizendo que meu olhar é um iceberg aonde estas à naufragar...
-Sorri diante da resposta. Ainda sorrindo respondi: -Não sou desses que querem amores de morrer, prefiro os que avivam... No máximo diria algo sobre como o azul gelo faz contraste com o vermelho flama dos teus cabelos, e, se depois disso teus olhos brilhassem, então eu soaria arrogante e diria que teus olhos são chama azul, e eles sendo chama eu sopraria-lhes as minhas palavras mais inflamáveis para que eles queimassem mais e me aquecessem, e enquanto houvesse calor eu me manteria ao alcance deles, mas se eles voltassem a ser gelo eu me afastaria... Naufrágios em olhos de gelo são muito cliché... É, isso seria o máximo que eu diria...
-Os olhos dela brilharam... E eu fitei-a esperando alguma resposta

Ela foi embora -como sempre-... As vezes imagino por onde e por quais motivos aquele olhar tem queimado... Nessas horas me sinto aquecido. Aquecido pela chama dos meus próprios olhos: olhando pro nada e vendo tudo, ou pelo menos tudo que vi naquele dia. Aquela visão me fez nutrir uma chama só minha. Viva.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ler livros é fácil: se não entendemos alguma palavra é só usar o dicionario, ou ver o contexto dela; se for neologismo basta imaginar.
Ler a vida sim é difícil. São tantas situações descontextualizadas, tantos silêncios eloquentes ; tantas reticências de um ponto só, de dois, de três, sem pontos ou com centenas deles.

Tantas entrelinhas em um olhar...


Quando se trata de pessoas, as vezes sou analfabeto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A mãe embala o filho no balanço e,
A alegria do filho embala a mãe: Em um sorriso manso...
O filho pensa sobre a bala que quer mastigar;
-Deixa pra depois menino, isso vai estragar seu jantar!

A bola dança na grama e,
O muleque descalço é seu par...
Bailam e rebolam, driblando todo o salão
Uhh, quase foi gol: a dama bateu no travessão...

A poesia se embola com o dia;
E o sol desola o céu, se pondo quase ao chão...
Minhas palavras transbordadas no papel,
Insuficientes...

Boa parte do que eu vi se afoga em meio à imensidão.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Já fui Alfredo e Meg...



Era um dia especial e único como todos os outros, e até aquele momento, la pelas cinco da tarde, foi monótono como nenhum havia sido, a tarde chegava a dar sono...
Foi ai que, exatamente as: 17:04 conheci Meg, e ela me fez acordar...
Primeiro ela estava na rua, passando em frente ao restaurante onde eu estava(vendo o dia entardecer), e em um instante, quando dei por mim, eu e ela já estávamos conversando...
- Olá, meu nome é....
- Meg...
- Sim, Como sabia?
- não sei, só sabia, acho que a senhora tem cara de Meg...
- Ah! Então você tem cara de Alfredo... E não me chame de senhora, isso me faz parecer velha.
- Desculpe-me. Senhorita Meg então? Acho que combina melhor mesmo, as duas palavras me lembram francês, e a senhora, ou melhor, senhorita, tem cara de quem já viveu na frança...
- Se você diz... Eu devo ter estado la, só não me lembro bem... Alias, não lembro de muita coisa, mas lembro que costumava escrever, amava escrever... Em algumas paginas, sim, em pelo menos algumas linhas, já fui francesa... Eu sempre sonhei acordada, desde muito nova, mas, um dia, a vida me adormeceu...
- A vida lhe adormeceu? Como assim?
- Trabalhos, estudos, obrigações... Eu sonhava com liberdade... Mas o custo dela foi alto, rapidamente parei de sonhar acordada, depois de escrever... E quando percebi, minhas tarefas me consumiam tanto que eu mal dormia, e quando o fazia, o cansaço inibia até os sonhos dormindo...
- A vida lhe adormeceu, ou você adormeceu pra vida?
- Não sei bem agora... Só sei que, do mesmo jeito que se dorme e acorda, a vida passou em um fechar e abrir de olhos. Tudo que aconteceu é só memória, quando eu lembro. Talvez seja essa seja a grande semelhança entre o sonho e o real, quando passam, ambos viram memória...
- A senhorita disse: “...Fechar e abrir os olhos...”. Quando a senhorita abriu os olhos?
-Não lembro direito quando abri, e sim quando me dei conta de ter-los aberto: Foi quando te vi, ou melhor, quando você me viu. Quando adormeci para a vida, parei de sonhar, mas não de ter pesadelos, alias, tive um só pesadelo, único e interminável, deixei de ter pessoas me controlando diretamente mas, em um mundo no qual o dinheiro compra vidas, acabei vendendo a minha, e vendi a prestações as quais paguei até esta tarde as: 17:04. Durante o pagamento tive somente uma sobra, uma sobrevida. Vim , vi, sobrevivi, mas não vivi... Foi isso, assim como nunca se sabe quando exatamente os sonhos começam, não sei exatamente quando abri os olhos...
- É estranho você falar em sonhos... Eu estava quase dormindo quando você apareceu...
- Que bom que te mantive acordado então, devia ter a sua idade quando comecei a fechar os olhos...
- Obrigado...
- Tenho que ir, quero ver o pôr do sol do alto da torre Eiffel hoje...
- Mas não estamos longe demais da frança ?!
- Au revoir Alfredo...
-Au revoir senhorita Meg...

*Meg aparentava ter em torno de 70 anos, tinha olhos azuis, e cabelos brancos assim como sua pele. Usava uma touca de lã, bolsa de lã e vestido branco com flores azuis e rosas, coberto por  um casaco cinza. Ela parecia ser ainda mais velha falando, tinha um ar de quem viveu muitas vidas... Mas seu espírito, esse era muito mais jovem que eu...

*17:11, Acordei de novo, espero continuar assim...